Uma das mais tristes passagens da ditadura foi quando um ministro de Estado e advogado, às vésperas da decretação do AI5, que instaurou a ditadura dentro da “ditadura”, disse: “às favas todos os escrúpulos”. O ministro em questão foi Jarbas Passarinho. Esse momento histórico que revelou a tibieza de caráter de quem devia reguardar a lei parece muito com o momento atual do E.C.Bahia.
Todos os escrúpulos foram silenciados ontem à noite. Quem deveria responder por suas irregularidades conseguiu uma salva guarda para continuar impondo ao arrepio da lei uma eleição que tem caráter de outorga. O presidente do Bahia será outorgado por cidadãos que sequer eram sócios do clube, que não possuem tempo sequer para figurarem como conselheiros. Isso é uma afronta!
Estamos assistindo uma verdadeira aclamação de um cidadão sob a guarda de seus correligionários para ser o ditador do E.C.Bahia, passando a condição de sua alteza o presidente do Bahia. O reinado de presidente do Bahia foi a maior contribuição dessa gestão para as futuras gerações. Certamente, não será a sulamericana, nem o acesso à série “A”, a razão para ser lembrado o atual mandatário tricolor. Ele será lembrado por praticar um golpe dentro do golpe.
Sim, a irregularidade pousa sobre um presidente e seus correligionários que perderam a oportunidade de fazer pela primeira vez uma eleição e passaram a ser os algozes do seu clube que foi fundado com razão de alegria, e não para ser objeto de disputar intermináveis por regularidade, legalidade e justiça.
A vontade ser um tirano do presidente do Bahia e ter também o aplauso de muitos inconsequentes levou pessoas como Hitler ao poder. Aliás, ficou claro a psicopatia de Hitler, como sua sede poder insaciável, como também ficou claro que para muitos os seus vazios podem ser preenchidos com prazeres de segunda categoria em fazer o papel de rebanho apenas.
Em outros tempos havia no Bahia alguma beleza nos coronéis que representavam uma sociedade machista, autoritária e muito infeliz, porém sem necessidade de se passar por democrata, o que podíamos combater mais as claras. Agora, a ideia é passar-se por democrata, enganar todo mundo e se fazer de vítima depois. O mal que faz alguém que finge ser uma coisa mas é outra torna o diálogo insuportável. Inclusive, a litigância de má-fé, a fraude, o dolo, todos esses pecados estão descritos no nosso código penal como crime.
A alma humana é mais forte que toda essa pantomima, essa falsidade, e vamos acabar superando esse momento. Com presidente ditador, sem democracia, continuaremos torcendo para o engradecimento do E.C.Bahia. Para que possam todos comemorar o orgulho de sermos membros de uma nação livre de cidadãos arbitrários e lá postos de forma ilegal.